segunda-feira, 1 de junho de 2009

A GERAÇÃO BEAT AINDA ESTÁ VIVA

Obra prima da Geração Beat de Jack Kerouac
O livro ON THE ROAD de Jack Kerouac, um clássico da geração beat, pode virar filme nas mãos do brasileiro Walter Salles. A produção está sendo viabilizada, mas enquanto isto não acontece, Walter Salles finaliza um documentário com a mesma temática como forma de preparar o terreno para o filme de ficção baseado no livro de Kerouac. Searching for On the Road (Em Busca de On the Road) é o nome do documentário.

Walter Salles
Para realizar o documentário, Walter Salles ouviu vários integrantes da geração beat como Gary Snyder (foto abaixo), Michael McLure, Laurence Ferlinghetti, Amir Baraka e outro sobreviventes da contracultura americana. Os mais conhecidos beatniks já morreram como é o caso do próprio Jack Kerouac (1922 - 1969), mas muitos ainda estão por ai, alguns com mais de 80 anos e mantendo acesa a chama da contestação.

Gary Snyder

Vários poetas fizeram parte da geração beat, sendo alguns dos mais importantes, o próprio Jack Kerouac, Allen Ginsberg, Charles Bukowski, Willian Burroughs, dentre outros.

Geração Beat

Estar em movimento. Eis o principal objetivo da Geração Beat, grupo de jovens intelectuais americanos que, em meados dos anos 50, cansados da monotonia da vida ordenada e da idolatria à vida suburbana na América do pós-guerra, resolveram, regados a jazz, drogas, sexo livre e pé-na-estrada, fazer sua própria revolução cultural através da literatura.
O termo Beat, usado para classificar a nova geração, é de origem controversa. Jack Kerouac – principal escritor do movimento – queria que o termo fosse uma abreviação de beatitude (mesmo significado em português), enquanto outros, principalmente os críticos e estudiosos, atribuíram tal denominação à influência direta do jazz, principal fonte de gírias e novos termos da contracultura da época. Do soma do radical beat com o sufixo do satélite russo Sputnik, que havia sido mandado ao espaço em 1957, surge a palavra beatnik, usada para designar dali em diante todos os seguidores do movimento.

Na foto Jack Kerouac à esquerda
A geração Beat foi composta basicamente por homens, que podiam ou não manter relações sexuais entre si, fato, porém, de secundária importância, uma vez que o principal objetivo desses escritores era estar em conjunto, desfrutar de parceria nas viagens, tanto físicas quanto psicotrópicas. Pode-se dizer que esse prazer de estar entre amigos, essa espécie de prolongamento do sentimento colegial de fazer parte de uma turma, de estar para sempre entre grandes camaradas foi a tônica do discurso literário, o leitmotiv de toda a Geração. Atente para o terrível sentimento de perda desta comunidade nas palavras do poeta Allen Ginsberg na famosa introdução do poema O uivo:

Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa, (...)

Esta idéia de desmantelamento inevitável, primeiro dos indivíduos e depois das relações interpessoais, é muito bem expressa nas palavras do crítico americano Eric Homberger:
“A literatura dos Beats é sobre o laço de amizade entre homens, sobre a afetuosidade entre eles, sobre a tristeza da descoberta de que o amor e a paixão fenecem. Todo o resto – o zelo pela religião oriental, o flerte com o Existencialismo, a fascinação pelos sonhos, o radicalismo político, a paixão pelas drogas, a liberdade sexual – era meramente decoração de uma complexa rede de relacionamentos pessoais”.

Os principais expoentes da Geração Beat e suas obras

Jack Kerouac - Pé na estrada (On the Road, 1957);
William Burroughs - Junkie (1953) e O Almoço nu (The Naked Lunch, 1959);
Allen Ginsberg - O uivo (Howl, 1956) e Kaddish (1960);
Gregory Corso - “Marriege” (1960);
Gary Snyder - Riprap (1959).

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